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Parceria entre família e escola fortalece a escrita correta

Família e escola juntas no desenvolvimento da escrita

26/01/2026

O domínio da escrita correta é competência essencial para o sucesso acadêmico e a inserção social plena. No contexto atual, em que a comunicação digital ocupa espaço crescente no cotidiano de crianças e adolescentes, família e escola precisam atuar em conjunto para garantir que os jovens desenvolvam capacidade de transitar entre diferentes registros linguísticos. Abreviações típicas do internetês, como "vc" para "você" ou "pq" para "porque", são práticas comuns nas redes sociais, mas não devem substituir o conhecimento da norma padrão exigida em contextos formais.

A popularização de aplicativos de mensagens e redes sociais trouxe nova forma de comunicação marcada pela rapidez e pela informalidade. Crianças em fase de alfabetização e adolescentes em processo de letramento ficam expostos diariamente a palavras escritas de forma abreviada ou com supressão de acentos e pontuação. Essa exposição constante pode interferir na memória visual da grafia correta, criando confusões sobre a forma adequada de escrever.

Professores relatam casos de estudantes que inserem expressões típicas da linguagem digital em redações escolares, demonstrando dificuldade em separar contextos de uso. Quando não conseguem distinguir entre escrita informal para conversar com amigos e escrita formal para atividades acadêmicas, comprometem seu desempenho em avaliações e sua capacidade de construir textos claros e adequados.

"A questão não é demonizar a linguagem digital, mas ensinar os estudantes a reconhecerem quando cada registro linguístico é apropriado", explica Cleunice Fernandes, coordenadora geral do Colégio Alternativo, de Sinop (MT). Desenvolver essa consciência de adequação é fundamental para que os jovens transitem com segurança entre diferentes situações comunicativas.


Leitura como base da escrita

Crianças e adolescentes que têm contato regular com textos variados desenvolvem repertório linguístico mais amplo e fixam visualmente a grafia correta das palavras. Ler livros, jornais, revistas, quadrinhos e textos informativos apresenta aos jovens diferentes estruturas textuais, vocabulário diversificado e exemplos práticos de como a língua funciona em seus diversos registros.

Famílias que cultivam o hábito da leitura em casa criam ambiente favorável ao desenvolvimento da escrita. Ter livros acessíveis, frequentar bibliotecas, presentear com obras literárias e reservar momentos para leitura compartilhada são práticas que demonstram valor atribuído à palavra escrita. Quando pais leem regularmente, transmitem aos filhos mensagem de que ler é atividade prazerosa e importante.

Na escola, trabalhar com gêneros textuais variados amplia a compreensão dos estudantes sobre as múltiplas funções da escrita. Contos, poemas, notícias, artigos de opinião, receitas, instruções e cartas apresentam estruturas diferentes e exigem adequações linguísticas específicas. Essa diversidade ensina que não existe uma única forma de escrever, mas sim usos apropriados para cada situação.


Importância da escrita manual

Escrever à mão contribui para desenvolvimento cognitivo de forma única. O ato de formar letras manualmente ativa áreas cerebrais relacionadas à memória, concentração e coordenação motora fina. Estudos demonstram que estudantes que escrevem à mão tendem a reter melhor as informações do que aqueles que apenas digitam.

A dependência exclusiva da digitação pode prejudicar esse desenvolvimento. Embora teclados e telas sejam ferramentas importantes, não substituem completamente os benefícios da escrita manual. Incentivar que crianças mantenham cadernos, diários, produzam cartas, escrevam listas e façam anotações à mão fortalece conexões neurais importantes para o aprendizado.

Famílias podem estimular a escrita manual de maneiras simples no cotidiano. Pedir que a criança escreva a lista de compras, anote recados, registre acontecimentos do dia ou crie histórias em um caderno especial são atividades que tornam a prática natural e prazerosa.

Consciência sobre gêneros textuais e contextos

Ensinar estudantes a reconhecer diferenças entre uma mensagem no WhatsApp, um e-mail formal, uma redação escolar e uma notícia jornalística desenvolve capacidade de adequação linguística. Cada situação comunicativa exige registro específico, e saber transitar entre eles é habilidade fundamental.

Em casa, pais podem aproveitar situações cotidianas para trabalhar essa consciência. Ao escrever um e-mail para a escola, podem mostrar à criança como a linguagem formal difere daquela usada para conversar com amigos. Ao ler notícias juntos, podem apontar características da linguagem jornalística. Essas pequenas intervenções constroem gradualmente compreensão sobre adequação.

"Quando trabalhamos a escrita de forma contextualizada, mostrando sua função social em diferentes situações, os estudantes compreendem que dominar a norma culta amplia suas possibilidades de comunicação", destaca Cleunice Fernandes.

Na escola, atividades que comparam diferentes registros linguísticos ajudam a tornar explícitas as diferenças. Transformar uma conversa de WhatsApp em texto formal, ou vice-versa, exercita a capacidade de adequação e demonstra concretamente as mudanças necessárias em cada contexto.


Revisão e autocorreção

Desenvolver o hábito de reler e revisar textos próprios é estratégia poderosa para aprimorar a escrita. Quando estudantes revisam suas produções, identificam erros, percebem inconsistências e desenvolvem olhar crítico sobre o próprio trabalho. Essa prática fortalece autonomia e consciência linguística.

Famílias podem incentivar esse hábito pedindo que crianças releiam suas produções escolares antes de entregar, ou que revisem mensagens importantes antes de enviar. Criar ambiente onde erros são vistos como oportunidades de aprendizado, não como fracassos, encoraja tentativas e favorece desenvolvimento.

Ferramentas digitais como corretores ortográficos podem ser aliadas quando usadas de forma consciente. Ao invés de simplesmente aceitar sugestões automáticas, estudantes devem ser incentivados a compreender por que determinada grafia está incorreta e qual é a forma adequada.


Diálogo e valorização da expressão

Crianças que crescem em ambientes onde conversas são valorizadas desenvolvem maior facilidade para organizar ideias e expressá-las por escrito. Diálogos sobre acontecimentos do dia, discussões sobre temas variados, momentos para ouvir histórias e experiências da criança fortalecem habilidades linguísticas que se refletem na escrita.

Pais que fazem perguntas abertas, estimulam narrativas e valorizam opiniões dos filhos contribuem para desenvolvimento da capacidade argumentativa e da organização lógica do pensamento. Essas competências são fundamentais para produção de textos coerentes e bem estruturados.

Incentivar que crianças contem histórias, descrevam situações, expliquem processos ou defendam pontos de vista oralmente prepara terreno para que façam o mesmo na escrita. A oralidade bem desenvolvida facilita a transição para a expressão escrita.


Equilíbrio no uso de tecnologia

Estabelecer limites para uso de dispositivos eletrônicos cria espaço para atividades que favorecem a escrita. Tempo excessivo em telas reduz oportunidades para leitura, escrita manual, conversas significativas e brincadeiras criativas que estimulam linguagem.

Famílias podem definir horários específicos para uso de celulares e computadores, garantindo que crianças tenham tempo para outras atividades. Criar zonas livres de tecnologia, como durante refeições ou antes de dormir, favorece interações presenciais e momentos de leitura.

Quando a tecnologia é utilizada, pode ser direcionada para atividades que apoiam o desenvolvimento da escrita. Aplicativos educativos, jogos de palavras, plataformas de leitura digital e ferramentas de produção textual podem complementar o aprendizado quando usados com orientação adequada.


Exemplo e incentivo constante

Crianças aprendem observando adultos. Pais que leem, escrevem, valorizam a comunicação clara e demonstram cuidado com a linguagem transmitem esses valores aos filhos. O exemplo cotidiano é forma poderosa de educação que complementa orientações verbais.

Celebrar progressos, por menores que sejam, fortalece motivação. Reconhecer quando a criança usa corretamente uma palavra difícil, parabenizar pela organização de um texto ou valorizar o esforço em uma redação constrói autoconfiança e incentiva continuidade.

Criar oportunidades para que a escrita tenha função real na vida da criança torna o aprendizado significativo. Escrever convites para festas, bilhetes para familiares, histórias para apresentar a amigos ou textos para publicar em blogs familiares mostra que escrever tem propósito além das atividades escolares.


Construindo escritores competentes

O desenvolvimento da escrita correta exige parceria consistente entre família e escola. Quando ambas compartilham responsabilidades e trabalham de forma complementar, crianças e adolescentes recebem suporte amplo que favorece aprendizado sólido. Equilibrar respeito pela linguagem digital com valorização da norma culta prepara jovens para transitarem com segurança entre diferentes contextos comunicativos, competência essencial para sucesso acadêmico, profissional e exercício pleno da cidadania.

Para saber mais sobre escrita, visite https://folhaextra.com/noticia/31984/especialista-alerta-que-uso-frequente-da-internet-esta-prejudicando-a-escrita-de-criancas-e-adolescentes e https://dialogando.com.br/educacao/internetes-as-delicias-e-desafios-da-escrita-das-redes-sociais-na-educacao/

 


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