Image de fundo Blor Home
crianças roendo unha -  Roer unhas pode indicar ansiedade em crianças

Roer unhas e ansiedade infantil

17/11/2025

O hábito de roer unhas, tecnicamente chamado de onicofagia, atinge entre 20% e 30% das crianças em idade escolar. Embora muitos adultos considerem esse comportamento uma "mania" passageira ou simples traço de personalidade, ele pode estar relacionado à ansiedade infantil, especialmente quando se torna frequente, intenso ou prejudicial. Crianças que roem as unhas de forma compulsiva, até ferirem os dedos ou comprometerem a saúde bucal, podem estar manifestando um sintoma físico de tensão emocional que merece atenção cuidadosa de pais e educadores.

A ansiedade faz parte do desenvolvimento infantil e surge naturalmente em determinadas situações como entrar na escola, mudar de turma ou enfrentar avaliações. O problema ocorre quando esse estado emocional se transforma em fator de sofrimento contínuo para a criança, interferindo na rotina, no sono, nas relações sociais ou no desempenho escolar. Identificar quando comportamentos como roer unhas ultrapassam o limite do esperado representa tarefa essencial para adultos que convivem com crianças.

Diferença entre hábito e sintoma de ansiedade

Nem toda criança que rói unhas está ansiosa. Alguns desenvolvem o comportamento por imitação, tédio ou simplesmente como hábito motor sem carga emocional significativa. A diferença aparece na frequência, intensidade e contexto em que ocorre. Quando o comportamento surge especificamente em momentos de tensão, como antes de provas, apresentações ou conflitos familiares, a probabilidade de estar ligado à ansiedade aumenta.

Crianças ansiosas costumam apresentar outros sinais além do roer unhas. Dores de barriga sem causa clínica identificada, suor excessivo, batimentos cardíacos acelerados, dificuldade para se concentrar, episódios de choro aparentemente desproporcionais ao contexto e problemas para dormir são manifestações comuns. Como as crianças ainda estão aprendendo a identificar e nomear sentimentos, o corpo frequentemente se torna o canal de expressão da angústia emocional.
Cleunice Fernandes, coordenadora geral do Colégio Alternativo, de Sinop (MT), ressalta que "observar o contexto em que a criança rói as unhas ajuda a entender se há um padrão relacionado a momentos específicos de estresse ou se é apenas um hábito mecânico sem sofrimento associado". Mudanças recentes na rotina familiar, como separação dos pais, chegada de um irmão, troca de escola ou mudança de cidade, podem desencadear ansiedade que se manifesta através desse e de outros comportamentos repetitivos.


Outros comportamentos associados à ansiedade

Além de roer unhas, crianças ansiosas podem apresentar ranger de dentes durante o sono, conhecido como bruxismo, puxar os próprios cabelos de forma compulsiva, morder lápis ou objetos constantemente, ficar excessivamente inquietas sem conseguir permanecer sentadas ou concentradas, e manifestar irritabilidade desproporcional a pequenos contratempos. Esses comportamentos funcionam como válvulas de escape para a tensão acumulada.

A recusa em ir à escola, especialmente quando acompanhada de queixas físicas pela manhã, pode indicar ansiedade relacionada ao ambiente escolar. Medo de avaliação, dificuldades de relacionamento com colegas, insegurança quanto ao próprio desempenho ou experiências de bullying estão entre as causas possíveis. O choro fora de contexto, desproporção emocional diante de pequenos problemas e retraimento social também merecem observação atenta.


Como pais podem ajudar

Repreender, ridicularizar ou pressionar a criança para que pare de roer unhas tende a agravar o quadro, aumentando culpa e sofrimento. O caminho mais eficaz passa pela escuta empática. Perguntar como ela se sente, oferecer presença afetiva, reforçar a autoestima e validar os sentimentos produzem resultados muito superiores a conselhos prontos ou críticas.

Se a criança reconhece o hábito e demonstra vontade de mudá-lo, os pais podem sugerir alternativas práticas. Manter as mãos ocupadas com massinha de modelar, usar uma pedra antistress, praticar desenho ou pintura, ou criar um plano de incentivo com recompensas simbólicas são estratégias que funcionam melhor quando implementadas sem coerção. Para crianças menores, lembretes físicos como esparadrapos nos dedos podem ajudar, desde que não sejam impostos como punição.

Estabelecer rotina regular oferece previsibilidade que transmite segurança emocional. Horários consistentes para dormir, acordar, fazer refeições, brincar e estudar reduzem a ansiedade infantil ao criar ambiente mais estável e controlável. O excesso de estímulos, compromissos e telas contribui para o aumento da ansiedade desde cedo, tornando o equilíbrio essencial.


Papel da escola na identificação e apoio

Professores e coordenadores ocupam posição privilegiada para observar mudanças de comportamento, retraimento ou agitação excessiva em sala de aula. A frequência e intensidade de comportamentos como roer unhas podem ser diferentes em casa e na escola, oferecendo pistas sobre gatilhos específicos da ansiedade. Comunicação constante entre escola e família permite alinhar percepções e pensar estratégias conjuntas de apoio.

Ambientes escolares que valorizam o cuidado emocional contribuem significativamente para redução da ansiedade infantil. Momentos de conversa, projetos que incentivam a expressão de sentimentos, atividades lúdicas e práticas que desenvolvem empatia ajudam as crianças a lidar melhor com suas emoções. Rodas de conversa onde os estudantes podem falar sobre preocupações e dificuldades, quando conduzidas com sensibilidade, criam espaço seguro para compartilhamento.

A equipe pedagógica também pode adaptar abordagens para reduzir ansiedade relacionada a avaliações. Dividir provas em etapas menores, oferecer diferentes formatos de demonstração de conhecimento e explicar claramente critérios de avaliação diminuem a pressão sobre crianças mais ansiosas. Reconhecer esforços além de resultados fortalece a autoestima e reduz o medo de errar.


Quando buscar ajuda profissional

O acompanhamento psicológico se torna necessário quando a ansiedade é intensa ou vem acompanhada de sintomas como insônia persistente, crises de choro frequentes, isolamento social, queda significativa no desempenho escolar ou comportamentos autolesivos relacionados ao roer unhas. Crianças que machucam gravemente os dedos, causam sangramentos ou infecções, ou que desenvolvem problemas dentários devido ao hábito precisam de intervenção especializada.

Psicólogos especializados em infância ajudam a criança a entender o que sente, desenvolvem estratégias para lidar com a ansiedade e constroem espaço seguro para falar sobre medos e inseguranças. Terapias como a cognitivo-comportamental ensinam técnicas de relaxamento, identificação de pensamentos ansiosos e desenvolvimento de respostas mais adaptativas a situações estressantes.

Sinais de alerta incluem mudança drástica de comportamento após evento específico, sintomas físicos persistentes sem causa médica identificada, prejuízo evidente na vida social ou escolar, e manifestação de medos intensos e desproporcionais. Quanto mais cedo a intervenção ocorre, mais rapidamente a criança desenvolve recursos emocionais adequados para lidar com suas angústias.


Prevenção através do cuidado emocional

Crianças precisam de tempo livre para brincar, explorar e se relacionar sem direcionamento constante de adultos. O contato com a natureza, atividades físicas regulares e brincadeiras livres funcionam como reguladores naturais da ansiedade. Agendas sobrecarregadas com aulas extras, compromissos e atividades dirigidas reduzem oportunidades de descompressão emocional necessárias ao desenvolvimento saudável.

A forma como adultos lidam com a própria ansiedade influencia diretamente as crianças. Elas observam e absorvem padrões emocionais do ambiente familiar. Pais constantemente tensos, impacientes ou inseguros transmitem essa atmosfera aos filhos, que podem desenvolver respostas ansiosas semelhantes. Mostrar que sentir medo ou preocupação é normal, mas que existem formas de lidar com essas emoções, representa lição valiosa.

Conversar sobre sentimentos, normalizar emoções difíceis e oferecer estratégias simples de regulação emocional desde cedo constrói repertório que a criança utilizará ao longo da vida. Técnicas de respiração, identificação de sensações corporais associadas a emoções e reconhecimento de gatilhos de ansiedade podem ser ensinadas de forma lúdica e adequada a cada faixa etária.

Roer unhas pode ser apenas um hábito transitório ou pode indicar ansiedade que requer atenção. Observar o contexto, a frequência e a intensidade do comportamento, além de estar atento a outros sinais emocionais e físicos, permite que pais e educadores identifiquem quando é necessário agir.

Para saber mais sobre ansiedade, visite https://hospitalsaomatheus.com.br/blog/onicofagia-habito-de-roer-as-unhas-pode-ser-sinal-de-ansiedade-e-outros-transtornos/ e https://www.suprevida.com.br/blog/criancas-de-6-a-12-anos-que-roem-unha?srsltid=AfmBOoq5aEO3sYFHGDvRfl2ks6p8vLF332uONUS13LcCyjn27Vg6qApm

 


Voltar

COMPARTILHE:

Junte-se a nós nesta jornada emocionante! Explore os artigos e acima de tudo, divirta-se enquanto descobrimos juntos o fascinante mundo Educacional.

Siga-nos

Newsletter